Eis que surge, em meados dos anos 60, mais precisamente em 1965, a primeira adaptação de um veículo comum (com motor a combustão) ou melhor, de suas partes em um veículo elétrico. Isto em uma época em que ainda o mundo não se preocupara com as consequências do efeito estufa, muito menos com a escassez e o custos dos combustíveis fósseis. Haja visto a existência de grandes motores com vários cilindros (V6, V8).
Esta proeza foi orquestrada pelo inventor Mauricio Lorensini, um mecânico autoditada quem nasceu em 1924 na cidade de Jundiaí/SP.
Sua carreira inventiva ja datava de muito antes, visto que, durante o período da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), invertara um motor movido a água e a ar comprimido. Este instalado em um caminhão.
Alem disso, ja nos anos 50, avançou com novos produtos como uma bateria diferente que poderia ser reparada, destacando-se o elemento que por ventura apresentasse algum defeito. A mesma chegou a ser produzida em série, porém infelizmente sua idéia não emplacou no mercado de acumuladores.
Em 1960 Lorensini já detinha 78 patentes.
Apartir de sua experência com as baterias, surge a oportunidade de inovar e quebrar o paradígma, construindo um veículo elétrico: O próprio Lorensini então batiza o invento de “O carro do futuro”.
Seu protótipo era basicamente constituido de um chassis de Ford 1929. O motor elétrico era diretamente acoplado ao câmbio. Eram utilizadas bateria convencionais de 12V distribuidas sobre o assoalho. A carroceria foi descartada, uma vez que a mesma traria peso desnecessário e afetaria a autonomia.
Para suportar recargas emergênciais, foi montado um pequeno gerador estacionário à gasolina com um cilindro de 5 cv. Este seria o futuro conceito dos veiculos hibridos.
O conjunto todo, conforme relatos, podia atingir até 70 Km/h.
O “Carro do Futuro” chegou a ser notícia do jornal O Globo, na edição de 23 de fevereiro de 1965 bem como na revista Quatro Rodas quando ele chegou ao Rio de Janeiro para participar da Corrida de Calhambeques, promovida pelo Automóvel Club do Brasil.
Na ocasião o próprio governador do Rio de Janeiro, Carlos Lacerda, fez uso do veículo de Lorensini para inaugurar um viaduto.
A ideia de produzir o veículo em série chegou a ser aventada por Lorensini. Através dos relatos, sua patente gerou interesse, tendo o mesmo recusado uma oferta generosa para a época na ordem de Cr$ 20 milhões. Isto equivalia a epoca a aproximadamente 14 Fuscas 0 Km.
Como muitos inventos que propunham veículos elétricos como opção aos veículos a combustão, este foi mais um de certa forma ignorado pela industria. Um reflexo do poder da industria do petróleo até então.
Lorensini nunca conseguiu fazer fortuna com seus inventos e é claro com o carro elétrico. Seu único protótipo acabou abandonado e tomado pelo tempo.



