Como foi abordado na última edição, o primeiro veículo elétrico da Gurgel, o E-150 não chegou a ser produzido em série, tendo sua vanguarda inaugurada por alguns poucos protótipos.
Mas isso não significou a desistência da Gurgel em continuar com o propósito da produção em série de um veículo elétrico genuinamente Brasiliero.
Então, após quase 8 anos de desenvolvimento, a Gurgel apresenta o E-400, um utilitário produzido entre os anos de 1981 e 1982 e que foi o primeiro carro elétrico produzido em série no Brasil.
Oferecido nas carrocerias furgão e picape e com capacidade para 400 kg (E-400) e 500 kg (E-500) de carga, tinha uma carroceria em fibra de vidro de linhas bem arredondadas e estava equipado com um motor elétrico de apenas 13,6 cv, que, combinado a um câmbio de quatro marchas da Volkswagen, permitia ao E-400 atingir os 80 km/l. Além da baixa velocidade máxima se comparado aos carros com motores a combustão, tinha outro problema comum aos elétricos daqueles tempos (e ainda de hoje também): a combinação de pequena autonomia entre 80 a 100 km no uso urbano e a demora na recarga das oito baterias de chumbo-ácido, que variava entre seis e oito horas.
Outro fator complicador na comercialização do E-400 focava-se no custo das baterias. Estas, ná época, representavam cerca de 25% do custo do veículo completo. Infelizmente essa proporção ainda se mantém nos veículos elétricos dos dias atuais.
Na época, a Gurgel já havia se sensibilizado com este ponto negativo, onde planejava estabelecer um sistema de leasing para as baterias. Elas seriam trocadas diariamente ou após determinado período de uso, contra o pagamento, pelo dono do carro de uma quantia pré-fixada.
Inicialmente o E-400 seriam reservados às companhias estatais, o que permitiria à Gurgel receber e avaliar uma série de informações relativas ao uso, comportamento, consumo e desgaste dos seus veículos de fontes mais confiáveis do que os usuários comuns. Pelo uso contínuo dessas companhias, a Gurgel poderia se valer da alta quilometragem rodada e poder coletar o maior número de dados sobre a robustez e atacar eventuais problemas. A próxima etapa seria a venda ao público em geral.
O utilitário acabou sendo vendido em pequenas quantidades, sendo empregado principalmente nas frotas de empresas estatais, tais como a TELEBRAS, TELESP e CESP e outras privadas como a Souza Cruz.
Infelizmente, em 1983, após 2 anos do surgimento do E-400, a Gurgel havia comercializado apenas 100 unidades. Mesmo como essa baixa na expectativa de vendas, ainda investiu em uma melhora na autonomia com o E-500 para 120Km.
Outros protótipos continuaram a ser desenvolvidos, como por exemplo o E-250. Sem conseguir engrenar as vendas e já atolada em dívidas, a Gurgel encerrou a fabricação dos veículos elétricos em 1987. Apenas 1 veiculo elétrico for comercializado para uma pessoa física.
Este foi o triste fim de uma trajetória invejável na vanguarda da eletrificação nacional de veículos.



