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Por que os Estados Unidos não querem mais carros elétricos?

O significativo aumento da rejeição do mercado estadunidense aos veículos propulsionados por energia elétrica levanta incógnitas sobre o futuro da tecnologia no país e no mundo.

Se você acompanha – mesmo que à distância – as notícias sobre veículos elétricos provavelmente você já se deparou com as fatídicas imagens de veículos elétricos em filas imensas aguardando sua vez de recarregar as baterias. É fato que adventos como este começaram a gerar um movimento de repulsa aos veículos elétricos, principalmente no mercado dos Estados Unidos. Antes destes acontecimentos era comum você ter dois tipos de público: os entusiastas de veículos elétricos e os que não se importavam. Hoje em dia, além desses dois você tem o “não trocaria meu veículo à combustão por um elétrico nem se me pagassem”. E o aumento significativo deste público nos leva ao questionamento de “até onde isso pode impactar a eletrificação mundial da frota e o quanto isso pode atrasar a chegada destes veículos em mercados emergentes, como América do Sul e Índia?”.

Enquanto inúmeros países europeus, asiáticos e o Canadá seguem com o pé fundo no acelerador rumo à eletrificação total da frota, o comportamento do mercado na terra do tio Sam indica uma inversão da curva e coloca em cheque a morte iminente dos chamados IEC (internal combustion engine – ou motor à combustão interna).

A eletrificação da frota é certa e inevitável. Os motores elétricos são incrivelmente mais eficientes e absurdamente mais simples, possuem menos componentes de desgaste e necessitam de uma menor atenção à manutenção. É questão de tempo para que estes carros sejam também mais baratos que os IEC.

É importante também ter bem claro que a rejeição dos norte-americanos aos veículos elétricos estão diretamente ligadas às dificuldades na recarga dos mesmos. Situação que deve ser amenizada e resolvida num futuro próximo – principalmente se tratando da maior economia do mundo, mas não somente isso.

Alguns produtos locais também corroboram com essa rejeição. O mais significativo deles foi o Mustang Mach-E, um carro que perdeu totalmente a identidade visual de “muscle car” e parece muito mais com um “Fusion Hatch Elétrico” ou um “Ford Escape Elétrico” do que um Mustang propriamente dito.

Outros fatores importante nesta equação é o fato do americano médio ter pouca consciência ecológica (não vamos entrar na discussão sobre o quão verde o carro elétrico realmente é, apenas considerar o apelo de marketing dele) e que o preço dos combustíveis nos Estados Unidos, apesar de terem aumentado significativamente nos últimos anos, ainda é baixo em relação ao salário médio e ao poder de compra da população. Em outras palavras, manter um carro à combustão pesa pouco no bolso. Também é importante ressaltar é que o norte-americano não tem rejeição à eletrificação, mas sim ao veículo 100% elétrico. O mercado de veículos híbridos tende a continuar em expansão por lá.

O interessante é que o efeito EUA pode gerar reações no mercado automobilístico mundial, principalmente em mercados emergentes. A demanda dos Estados Unidos por veículos à combustão pode gerar uma sobrevida tanto nos departamentos de desenvolvimento de motores – que provavelmente já deveriam estar jogados às traças, ao menos nas grandes montadoras – quanto no portfólio de veículos, além de proporcionar um maior tempo para que mercados emergentes possam se preparar e se adaptar para a chegada do carro 100% elétrico.

Esta “suavização da curva de transição” é importantíssima tanto para fabricantes quanto para consumidores. Imagine que manter uma fábrica de motores que produz 5.000 motores por dia para todo o mundo faz com que o motor custe um valor. Reduzindo a produção desta planta para 2.000 motores/dia para atender apenas os mercados que ainda possuem carros equipados com IEC fará com que o valor unitário de cada motor suba significativamente. E assim é para toda a cadeia: velas, bombas, bicos, sistemas de escape e etc. Enquanto isso, Europa, Ásia e América do Norte (puxada pelo Canadá) estão consumindo – e barateando – os carros elétricos. E as empresas de energia estão investindo em infraestrutura para veículos elétricos.

Também o fato do mercado – principalmente da América do Sul – ser extremamente volátil faz com que as empresas se sintam mais confortáveis em investir neste mercado, uma vez que elas podem dissolver este investimento em um tempo maior, não sendo necessário – ou reduzindo a necessidade – de um movimento quase que de aposta no mercado. Quanto mais suave é esta transição, maior a probabilidade de manutenção de fábricas de veículos e autopeças no mercado.

No fim do dia, mesmo que nem de longe de ser o objetivo deles, este movimento de rejeição do mercado dos Estados Unidos aos carros elétricos podem gerar inúmeros benefícios tanto no curto quanto no médio prazo para os mercados emergentes, principalmente o sul americano.

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